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Grupo de Mulheres Santana

 

A comunidade Santana está localizada a 22 km da sede do município de São Luís Gonzaga do Maranhão na região do médio Mearim. É uma comunidade Quilombola que valoriza os conhecimentos locais, costumes e danças. Tradicionalmente as famílias fazem o plantio de culturas de auto sustento como arroz, milho, feijão e mandioca, combinadas com a espécie de babaçu e criação de pequenos animais.

Em 1992, com a assessoria da Associação Comunitária em Educação e Agricultura (ACESA) um grupo de mulheres quebradeiras de coco decidiram fazer o aproveitamento de frutas locais, manga, maracujá e paralelo a isso, começaram a ampliar o cultivo de frutíferas na comunidade.

O grupo constituído é conhecido como “Grupo de Mulheres de Santana” é um grupo informal formado por quinze (15) agricultoras e quebradeiras de coco babaçu. São nove (09) mulheres adultas, quatro (04) jovens e duas (02) idosas, com escolarização fundamental, média e uma cursando o curso superior de Pedagogia da Terra, pela Universidade Federal do Maranhão.

O processo de organização se deu por motivo da luta e resistência pela terra em 1987, e quando demos conta já estávamos lutando por outras políticas sociais. Quanto ao processo de acesso a terra e recursos naturais ainda está em embate, nem todos os proprietários permitem o acesso à coleta do babaçu. A área é de uso coletivo mas é pequena para o número de 32 famílias. Infelizmente a pressão é inevitável, mesmo com o processo de conscientização ambiental que a comunidade já acumulou ao longo dos anos.

Na parte política/organizativa as mulheres juntamente com outras comunidades do município lutam pelo livre acesso ao babaçual e contra a derrubada da palmeira. São articuladas aos: Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Associação em Área de Assentamento no Estado do Maranhão, Associação de Mulheres Trabalhadoras e Quebradeiras de Coco, Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e Rede de Mulheres Empreendedoras da Amazônia.

A partir de 2001 que a experiência ganhou novo contexto, com a assessoria da ASSEMA, que direcionou esforços técnicos, políticos para a implantação do Sistema Agroflorestal - SAFs. O sistema vem se ampliando e diversificando com frutíferas nativas e exóticas como: Abacaxi, jenipapo, cupuaçu, caju e manga. O trabalho acontece com a metodologia de reuniões, planejamento anual das atividades produtivas e seminários de capacitação.

Para a produção dos produtos conseguimos uma pequena agroindústria, onde as mulheres realizam as atividades. O trabalho acontece de forma sistemática, por exemplo, compota de manga - coleta a manga já bem madura, para limpeza dos frutos utiliza-se água corrente, depois em água clorada para em seguida fazer o corte, o preparo da calda é feito com açúcar, levado ao fogo baixo por 15 minutos, em seguida é feito o envasamento em banho Maria, o licor de jenipapo – coleta a fruta bem madura, lavada em água corrente e clorada, a polpa é colocada em recipiente juntamente com cachaça, ficando um período de 30 dias de repouso, passados este período é retirado todo o liquido utilizando prensa de pressão, adicionando açúcar a gosto. Além destes é produzido também geléia de manga e maracujá, compota de abacaxi e jaca.

Este trabalho é feito coletivamente pelas mulheres, tanto no processamento como no trabalho de campo, limpeza e plantio de frutas. Dependendo do trabalho na unidade o grupo de organiza de forma escalonada para evitar ociosidade no serviço.

Além dos trabalhos na unidade as mulheres e jovens cultivam arroz, feijão, milho e mandioca, pescam, cuidam de crianças e dos afazeres da casa. Os jovens participam de todos os eventos promovidos pela Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão - ASSEMA, Movimento Interestadual das quebradeiras de coco babaçu - MIQCB e Rede de Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazônia.

O trabalho é uma alternativa para a melhoria de vida no campo, o grupo está se preparando melhor para entrar no mercado que é muito difícil. Mas mesmo no mercado local, os produtos vêm dando resultado. Precisamos qualificar nossos produtos, colocar rótulos e registrar.

A ASSEMA apoia e presta assessoria às atividades de produção e processamento, para comercializar os produtos e estamos buscando meios de acessar outras fontes de recursos.

Com este trabalho tem-se melhorado a relação entre homens e mulheres pois em algumas atividades do sistema os homens contribuem no trabalho. Mesmo o homem priorizando o trabalho da roça para o auto sustento, as mulheres não têm dificuldades para realizar suas atividades. Mesmo não tendo uma boa divisão do trabalho acaba tendo uma compreensão e ajuda em ambas as atividades. Com o processo continuo de capacitação e orientação sobre as questões de gênero as famílias tem superado alguns tabus a este respeito, mesmo porque a participação em eventos externos e internos é frequente.

“Voltar ao passado, viver o presente e ir para o futuro”. Pude crescer junto com as companheiras, pensar no coletivo e ganhar conhecimentos. Pretende levar a sério o tratamento e discussão sobre a violência na sua comunidade. Dorenilde Pereira.

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