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Agricultoras se reúnem no CTA-ZM para encontro do Movimento de Mulheres da Zona da Mata e Leste de Minas

Em sua fala inicial, a agricultora familiar e uma das lideranças do Movimento, Maria da Conceição Caetano (mais conhecida como “Dona Lia) enfatizou a importância do MMZML e da união entre as mulheres: “Vamos caminhar lado a lado, uma mulher dando valor pra outra. Porque tem tanta mulher que apedreja a outra e diz: ‘Essa daí apanha porque merece!’ Isso não existe! O Movimento veio pra nos ensinar a ser libertas, é pra tirar as correntes dos nossos pés que a gente nem percebia que tinha”.

Para a articuladora do MMZML, Sônia Aparecida de Souza, as reuniões e oficinas representam grande fonte de informação e espaço de diálogo. “Porque quando a gente fica em casa, as informações não chegam e a gente não fica sabendo o que tá acontecendo na realidade. E é um momento da gente tá se fortalecendo também como mulheres. No Movimento de Mulheres esse é o objetivo: se fortalecer e ser companheira uma das outras pra enfrentar as lutas do dia a dia”, afirmou.

No debate “Mulheres na Política” (a matéria completa você encontra aqui), a cientista política Daniela Rezende ressaltou que, se por um lado existem uma série de fatores que mostram para as mulheres brasileiras o grande risco de perda de direitos, por outro lado está cada vez mais claro que a força das mulheres será decisiva nessas eleições: “A história das mulheres brasileiras é uma história de luta, se bem que eu não estou falando nada de novo aqui pra vocês porque vocês são uma história de luta. Nós somos uma história de luta, somos nós que construímos essa realidade, mas agora nós não estamos só no plano de lutas por direitos, estamos no plano de lutar pela humanidade, porque nós somos seres humanos e merecemos direitos iguais”, destacou.

Além desses importantes momentos de formação, informação, debate e diálogo, as agricultoras também se dividiram em pequenos grupos para falar sobre os avanços e as dificuldades enfrentadas no seu município e na região. A metodologia participativa “F.O.F.A” foi utilizada para que elas indicassem as fortalezas, oportunidades, fraquezas e ameaças. “Preconceito” e “fim das políticas públicas para as mulheres” foram elementos que surgiram entre as ameaças; “limitação das mulheres para sair de casa” foi uma das fraquezas; “formação política da CUT” e “feiras da agricultura familiar e da agroecologia” estavam entre as oportunidades”; assim como “união das mulheres” e “apoio do CTA” apareceu entre as fortalezas. 

Ao final do segundo dia de reunião, as agricultoras apontaram alguns encaminhamentos, como: a necessidade de se aproveitar os espaços dentro das suas comunidades para realizar encontros e intercâmbios de trocas de conhecimentos; a proposta de realização de cursos e oficinas ministrados pelas agricultoras a partir das suas práticas e especialidades; a visita a companheiras que estejam com depressão e outras doenças; a necessidade de apoio a mulheres que estejam sofrendo violência em casa, por parte de seus companheiros ou demais familiares; organização da participação em feiras locais; dentre outros encaminhamentos.

 

Movimento de Mulheres da Zona da Mata e Leste de Minas

O MMZML existe desde 2011 com a missão de empoderar as mulheres, fortalecendo a luta pela igualdade de gênero e contra a violência, incentivando as mulheres a valorizarem a si mesmas e ao seu trabalho para melhorar suas condições de vida praticando a agroecologia. Para as mulheres do MMZML, se mexeu com uma, mexeu com todas! Por isso, desde a sua fundação, o Movimento busca unir as mulheres rurais da região e conscientizá-las dos seus direitos, realizando diversas oficinas, encontros temáticos e debates políticos, para trocas de conhecimento e acesso às informações que são importantes para o desenvolvimento da autonomia e empoderamento delas. Campanha contra os Agrotóxicos, Alimentação Saudável e Segurança Alimentar, Agroecologia, Tipos de Violência, Participação Política das Mulheres, Divisão Sexual do Trabalho, Documentação e Cidadania, Inclusão Digital, Saúde da Mulher e Auto Estima são alguns dos temas abordados.

As agricultoras também têm a oportunidade de participar de diversas manifestações e atos públicos; de espaços de incidência política, como fóruns e conselhos; além de encontros da Articulação de Mulheres do Campo de Minas Gerais; do GT Mulheres da ANA (Articulação Nacional de Agroecologia) e também do GT Gênero e Agroecologia. Os encontros com os parceiros do MMZML são momentos de diálogo e construção de estratégias conjuntas para o combate à violência institucional e discriminação das mulheres. São também importantes espaços de debate sobre a valorização e visibilidade do trabalho delas. As agricultoras que integram o MMZML são de municípios como Acaiaca, Araponga, Caparaó, Divino, Diogo de Vasconcelos, Ervália, Espera Feliz, Guidoval, Orizânia, Paula Cândido, Santa Margarida, Santana do Manhuaçu, Simonésia, Viçosa e Visconde do Rio Branco.

Autor: Wanessa Marinho

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