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CTA-ZM participa de Encontro Nacional de Pesquisas em Feminismos e Política

Para Rayza Sarmento, é cada vez mais urgente pensar em feminismos no Brasil de hoje, mas além disso se faz necessário também pensar nos diferentes feminismos como campo científico. “Não estamos falando de opinião, estamos falando a todo momento de dados, de uma desigualdade que é materializada a partir de estudos e pesquisas. Então colocar isso como uma questão pública, em um evento que é financiado por uma agência de fomento como a CAPES, é fundamental. Esse evento aporta uma discussão em um momento político que é central”, explica.

Foi também por uma decisão política que Viçosa foi escolhida para sediar o evento, já que em geral os debates ficam muito concentrados nas capitais – é o que destaca Daniela Rezende: “Tivemos a participação de pesquisadoras das cinco regiões do país, de estudantes de graduação e pós-graduação. O envio de trabalhos científicos e de propostas de minicursos foi muito superior ao que a gente imaginava. O encontro superou as nossas expectativas em todas as dimensões e a mesa de encerramento evidenciou que a potência feminista também está no interior do país, também está no mundo rural e isso ajuda a repensar o nosso lugar e os nossos processos de produção do conhecimento, de aproximação e de transformação da realidade”, avalia Rezende.

A mesa de encerramento contou com a participação da professora do Departamento de Solos (UFV), Irene Cardoso, e de uma das coordenadoras do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM), Beth Cardoso. As palestrantes apresentaram a sua experiência com agroecologia e, principalmente, de trabalho com agricultoras, destacando o projeto de ensino, pesquisa e extensão sobre as “Cadernetas Agroecológicas” e destacando também que “Sem Feminismo não há Agroecologia”. Realizado a partir de um termo de execução descentralizada entre o extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário e a UFV, o projeto das Cadernetas Agroecológicas tem como objetivo auxiliar as agricultoras a monitorar o dia a dia da sua produção, visibilizando a importância econômica e para a soberania e segurança alimentar dos itens que elas produzem nos seus quintais. Este projeto conquistou projeção nacional no último ano, chamando a atenção inclusive de agências internacionais como a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

Para a estudante de Ciências Sociais, Wanessa Marinho, a mesa de abertura com a pesquisadora negra Janaina Damaceno, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, foi um dos pontos altos do evento. “Como estudante de graduação, é um privilégio poder participar de um evento como esse, com debates tão importantes sobre diferentes feminismos, o negro inclusive, além de também poder conhecer um pouco mais sobre a agenda de pesquisas em Ciência Política no Brasil”, avalia.

A Rede de Pesquisas em Feminismos e Política procura articular pesquisadoras e pesquisadores que trabalham com feminismos e políticas em diferentes áreas, especialmente nas Ciências Sociais. Para além do evento, esta rede é um processo de colaboração que busca incentivar não só a produção científica e acadêmica, mas também a solidariedade, evitando a competição e o conhecimento predatório, e promovendo um trabalho que seja de fato em rede – é o que afirma Rayza Sarmento. “Estamos dando uma série de passos para tirar ações concretas e pesquisas, com uma produção de conhecimento mais articulada, mais colaborativa, mais horizontal que, além de tratar de temas que são marginais na ciência política, também tenta mudar essa lógica da produção individual, baseada na competitividade”, conclui Daniela Rezende.

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