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As mulheres negras são as mais violentadas no Brasil

75% das mulheres assassinadas no primeiro semestre deste ano no Brasil são negras. Nós somos maioria nos empregos que recebem os piores salários, de maneira geral, ganhamos menos que os homens negros e que qualquer trabalhadora ou trabalhador branco. 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza. Entre as poucas mulheres nos cargos eletivos da política institucional, menor ainda é o número de mulheres negras, apesar de sermos 28% da população brasileira.

Faça um exercício rápido de observação: quantas mulheres negras são suas companheiras de trabalho? Qual a ocupação delas nesse espaço? No seu curso universitário existem ou existiam mulheres negras estudantes ou professoras? Na sua série favorita, quantas personagens são negras? Quantas autoras negras você já leu?

Você vê nossas caras? Nossos corpos? Onde? Quando? Como?

Responda a esses questionamentos e, o mais importante, se pergunte por que, e o que você pode fazer para mudar esse cenário. Se essa é uma construção social, o que fazer para desconstruir?

A existência da mulher negra sempre foi marcada pela luta e pela resistência, mas a sociedade precisa olhar para essas mulheres e apoiá-las na organização de uma realidade menos violenta e perversa para ela e para os seus. Quantas mães negras e periféricas choraram (e choram todos os dias) a morte de seus filhos, crianças e jovens, mortos pelo próprio estado?

A Lei Maria da Penha e a PEC das empregadas domésticas são conquistas importantes no enfrentamento a duas questões que assombram, principalmente, mulheres negras por todo o país: a violência doméstica e a desvalorização da sua força de trabalho. Mas, como os números, as estatísticas e as histórias de mulheres mostram, ainda temos muito o que avançar.

Que possamos abrir espaço para que as mulheres negras como eu falem, ocupem, transformem. Na luta feminista, o entendimento das especificidades do feminismo negro é um passo fundamental na construção da sociedade justa pela qual lutamos. Precisamos nos comprometer a acolher as mulheres negras diariamente violentadas pelo Estado, que nos invisibiliza e nega direitos, ou pelos companheiros, que as fazem vivenciar diversas situações de violência doméstica.

As vidas negras importam. As vidas das mulheres negras importam com toda a sua potência, inteligência, estratégia, beleza, afeto e amor. Somos o sonho e a esperança das nossas ancestrais. Sigamos sendo resistência contra as violências e sendo apoio umas para as outras.

Autor: Lílian Moura

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