A primeira Caravana Agroecológica e Cultural da Zona da Mata Mineira aconteceu entre os dias 22 e 25 de maio. Considerada um momento histórico na construção do movimento agroecológico na região, a caravana foi promovida pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e organizada pelo Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), com o apoio de diversos parceiros.
Com os objetivos de divulgar a prática da agroecologia e dialogar com a sociedade a respeito desta causa que significa saúde, respeito ao meio ambiente e cuidado com as pessoas, a caravana foi dividida em três rotas diferentes e percorreu mais de 20 municípios, passando por cidades como Araponga, Acaiaca, Carangola, Espera Feliz, Muriaé e Ponte Nova.
Para Glauco Regis Florisbelo, coordenador executivo do CTA, a caravana superou todas as expectativas dos organizadores devido a grande articulação dos movimentos parceiros que conseguiram mobilizar centenas de pessoas nas diversas cidades por onde a caravana passou. Além de servir como uma estratégia de preparação para o III Encontro Nacional de Agroecologia, que deverá acontecer em 2014, a caravana conseguiu atingir uma grande parcela da sociedade, que ainda não está diretamente relacionada à agroecologia.
“Nós utilizamos uma metodologia muito acertada e conseguimos mobilizar as pessoas e ampliar o nosso olhar sobre o território. Um território que não é delimitado por municípios, mas sim pelos atores que hoje vem construindo as experiências agroecológicas na região”, afirmou Eugênio Ferrari, membro da equipe técnica do CTA e do Núcleo Executivo da ANA. Ele também ressaltou que um dos pontos fortes da caravana foi visualizar “a riqueza enorme de experiências e o grande potencial para a expansão da agroecologia na região”.
Durante o percurso aconteceram visitas a assentamentos, unidades de conservação, propriedades agroecológicas ou em transição, organizações de mulheres, escolas familiares agrícolas, comunidades de pessoas atingidas por barragens e foram também realizados diversos atos públicos nas praças das cidades. Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer de perto a realidade dessas pessoas e se impressionaram com o que viram.
Segundo o coordenador do Centro Sabiá, em Recife (PE) e membro do Núcleo Executivo da ANA, Alexandre Pires, a caravana foi uma oportunidade de fortalecer a convicção de que a agroecologia é uma estratégia importante e indispensável para a construção de um mundo melhor. “Visitar as experiências dos agricultores e dialogar com os estudantes e membros dos movimentos sociais revigorou o meu sentimento de que a agroecologia é necessária e que um outro mundo é possível”., afirmou.
Eugênio Ferrari acredita que o grande desafio agora é incorporar todos os atores que se engajaram na realização da caravana agroecológica em um processo mais articulado de construção de propostas agroecológicas na região. E lembrou: “Daqui para frente, nós vamos pensar em ações mais articuladas e em formas de envolver esses atores de uma maneira mais ampla na região”.
Glauco Florisbelo completou afirmando: “É o momento de aproveitar todo esse estado de mobilização, essa energia e disposição dos movimentos em prol da agroecologia para nos organizarmos melhor e de forma permanente.”
Nos próximos meses deverá ocorrer pelo menos uma caravana em cada região do país. A Caravana Agroecológica e Cultural da Zona da Mata Mineira foi realizada em parceria com a ABA (Associação Brasileira de Agroecologia), AMA (Articulação Mineira de Agroecologia, CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), FETRAF (Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras na Agricultura Familiar), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), MMZM/L-MG (Movimento das Mulheres da Zona da Mata e Leste de MG), CPT (Comissão Pastoral da Terra – Zona da Mata), AMEFA (Associação Mineira das Escolas Família Agrícola), FOMENE (Fórum Mineiro das Entidades Negras), Associação Regional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, EFA Camões, EFA Paulo Freire, EFA Puris, EFA Margarida Alves, Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar de Acaiaca, Associações, Cooperativas e UFV.













