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"Novas Tecnologias e Bioeconomia" é tema de webinário promovido pelo Grupo Carta de Belém

O Grupo Carta de Belém promoveu, nesta segunda (31), um webinário com o tema “Novas Tecnologias e Bioeconomia”. Reunindo mais de 60 representantes de organizações e movimentos sociais de várias regiões do país, a atividade teve como objetivo lançar um olhar crítico as promessas de “recuperação verde” da economia, sobretudo neste momento e no pós pandemia da Covid-19.

Grandes conglomerados industriais anunciam soluções para o clima e uma agricultura mais inteligente, chamada de digital ou 4.0, ou ainda de “agro é pop”, na sua versão televisiva. As empresas que promoveram a Revolução Verde vêm agora se unindo às gigantes da tecnologia que controlam os dados e as plataformas digitais.

Nesse contexto, o ar puro, os polinizadores e demais “serviços da Natureza” viraram mercadorias, assim como os genes, privatizados nas plantas transgênicas, a informação sobre a previsão do clima, das safras e o manejo da biodiversidade, além dos conhecimentos dos povos indígenas, tradicionais, quilombolas e comunidades da agricultura familiar.

São exatamente nesses territórios que a biodiversidade está preservada e o conhecimento desses povos é o caminho de acesso a esses bens naturais. Com Estados nacionais cooptados ou fragilizados pelo neoliberalismo, esses territórios materiais e imateriais são vistos pelas grandes corporações como a nova fronteira a ser explorada em seus processos infinitos e insustentáveis de acumulação.

Para avançar na compreensão desse novo ciclo econômico colonialista, o webinário do Grupo Carta de Belém contou com a participação de Lourdes Laureano, da Articulação Pacari; de Beto Palmeira, do Movimento dos Pequenos Agricultores; e de Gabriel Fernandes, do CTA-ZM. Durante as falas, Lourdes relatou de que forma as propostas de cadeias produtivas e contratos para exploração de conhecimentos tradicionais e de produtos da sociobiodiversidade chegam nas comunidades do Cerrado; enquanto Beto tratou dos impactos dessa nova onda de tecnificação do campo para as comunidades camponesas, como também do avanço nacional e internacional de propostas de financeirização da Natureza. Gabriel, por sua vez, falou sobre as chamadas novas biotecnologias e a relação com os velhos agrotóxicos - tema de um estudo realizado por ele, e publicado em parceria com a Fundação Heinrich Böll, no final de 2019. Em novembro deste ano o estudo ganhará uma edição também em espanhol.

 

NOVAS BIOTECNOLOGIAS, VELHOS AGROTÓXICOS - UM MODELO INSUSTENTÁVEL QUE AVANÇA E PEDE ALTERNATIVAS URGENTES

A evolução das técnicas de modificação do DNA vem dando origem às chamadas novas biotecnologias. Com elas, ampliam-se muito as possibilidades de manipulação da vida. Seus proponentes alegam que esses novos produtos são mais modernos e seguros que os transgênicos que conhecemos e, sendo assim, estariam dispensados de estudos de biossegurança ou mesmo de rotulagem. Este estudo apresenta uma leitura crítica desse processo e traz dados atualizados que indicam que essa nova onda tecnocientífica vem para reafirmar que a nova "revolução do gene" é parte integrante e constituinte da velha "revolução verde".

 

  • Data da publicação: 25/11/2019
  • Editora: Fundação Heinrich Böll
  • Número de páginas: 63
  • Licença: CC-BY-NC-SA 4.0
  • Idioma da publicação: Português
  • ISBN: 978-85-62669-32-3

 

O livro está disponível para download na biblioteca do nosso site.

Autor: Wanessa Marinho
Fonte: Gabriel Fernandes

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