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Sem Feminismo não há Agroecologia: Carta das Mulheres Negras, Quilombolas e Indígenas

Nós, Mulheres Negras, Indígenas e Quilombolas da Agroecologia, articuladas pelo Grupo de Trabalho de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia - ANA, anunciamos que a construção da Agroecologia no Brasil precisa enfrentar o racismo, o patriarcado e as violências sexista e colonial. Estas violências, em muitas formas e dimensões, nos invisibilizam e oprimem, destroem nossos territórios e corpos.

No III Encontro Nacional de Agroecologia-ENA, ocorrido em Juazeiro (BA) em 2014, quilombolas e povos indígenas afirmaram suas identidades e expressaram a importância do reconhecimento de suas práticas para a construção da agroecologia, ao mesmo tempo em que as mulheres anunciaram que “Sem Feminismo não há Agroecologia”.

Durante o processo de construção do IV ENA, realizado em Belo Horizonte (MG) em 2018, o GT Mulheres da ANA foi convocado a acrescentar ao lema “Sem Feminismo não há Agroecologia” a defesa do lema “Se tem racismo não tem Agroecologia”. Essa incorporação explicita a necessidade de integrar à abordagem agroecológica as dimensões racial e étnica, anseios partilhados com as Pretas da Agroecologia, grupo fortalecido e ampliado após este encontro.

A Plenária das Mulheres no IV ENA foi um dos momentos de grande expressão das diversidades culturais e étnicas das mulheres da Agroecologia, pela qual as mulheres negras, quilombolas e indígenas chamaram a atenção para a necessidade de aprofundarmos o debate sobre classe, raça, etnia, geração, sexualidade e gênero, construindo propostas de ação política que combatam as desigualdades, visibilizem e reconheçam a contribuição das mulheres na construção da agroecologia.

Movidas por essas questões, nos reunimos nos dias 24 e 25 de setembro de 2019, em Belo Horizonte, para a oficina Feminismo e Agroecologia, na luta contra o capitalismo, patriarcado, racismo e agronegócio e em defesa dos bens comuns e da vida – organizada pelo Gt de Mulheres da ANA, com a participação de diversas organizações dos campos feminista e agroecológico. Juntas, demos os primeiros passos para a construção do I Encontro Nacional de Mulheres Negras, Indígenas e Quilombolas da Agroecologia – previsto para acontecer em 2021. Desejamos partilhar experiências, vivências e conhecimentos, denunciar as opressões, organizar estratégias de lutas, para combatermos juntas o racismo, o patriarcado, o capitalismo e a LGBTQfobia.

É mais do que necessário compreender os desafios vivenciados pelas mulheres indígenas, negras e quilombolas, criando um espaço de convergência e articulação das diversas vozes, na construção do bem comum, na luta contra o patriarcado e o racismo, no enfrentamento às inúmeras formas de violência, no reconhecimento da força das juventudes, na defesa dos territórios e na construção de uma sociedade justa, igualitária e solidária.

Vamos juntas/os fortalecer uma agroecologia feminista, negra, indígena e quilombola no Brasil.

Belo Horizonte, 25 de setembro de 2019

AMICE Articulação de Mulheres Indígenas do Ceará

ANA Articulação Nacional de Agroecologia Amazônia

APOINME Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo

Comitê Chico Mendes

CONAQ Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas

CTA/ZM Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata

FASE Solidariedade e Educação

FBSSAN Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional

GT Grupo de Trabalho de Gênero da ABA Associação Brasileira de Agroecologia

GT Grupo de Trabalho de Mulheres da ANA Articulação Nacional de Agroecologia

IFSP Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo

KAPOI Associação Cultural dos Povos Indígenas de Roraima

MIQCB Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu

MMNEPA Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense

MMTR-NE Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste

NEA Núcleo de Estudos em Agroecologia JUREMA: Feminismo, Agroecologia e Ruralidade

Pretas da Agroecologia

REDESSAN Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional

RMERA Rede Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazônia

Sítio Agatha

SITOAKORE Organização de Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia

SOF Sempreviva Organização Feminista

UFRPE Universidade Federal Rural de Pernambuco

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